segunda-feira, 4 de abril de 2016

Muhammara e Brooklyn - Nova Iorque # Muhammara and Brooklyn - New York





No início de Março voei rumo a Nova Iorque, para lá viver e trabalhar durante dez dias, mais concretamente em Park Slope - Brooklyn.

Devo dizer-vos que é difícil decidir por onde começar.  Ainda hoje e depois de ter regressado a casa há já algum tempo ainda continuo a processar informação. A tentar compactar e arquivar com segurança tudo o que vi, senti e experimentei...

Na saída do Aeroporto JFK estava um monovolume com um cartaz na janela com um nome familiar: "Mónica Pinto", em letras garrafais. Por momentos pensei estar, qual penetra,  dentro de um qualquer filme americano, mas não, aquela era a minha boleia e ao volante estava a Mussy, a assistente da minha cliente, para me levar a conhecer o estúdio, um armazém dividido em dois espaços distintos que iriamos usar alternadamente para as sessões fotográficas.

A minha rotina em Brooklyn começou cedo, no dia seguinte e continuou pelos nove dias seguintes. Caminhada descendo Park slope, por entre casas lindas, centenárias, até à quarta avenida e continuando até ao estúdio. Paragem diária no Brownstone Bagels and Bread para um expresso ou macchiato acompanhado de um muffin de mirtilos ou de chocolate ou um bagel simples. Muitas vezes pedia apenas um expresso para levar e acabei por perceber que o meu copinho de expresso na mão deixava as pessoas curiosas. As ruas de Brooklyn estão mais que habituadas a ver passar copos grandes de café nas mãos dos seus transeuntes mas aquele copinho era o mesmo que andar com um letreiro a dizer: "Sim, eu sou europeia!" E isso para os americanos, vim a descobrir entretanto, é algo de exótico.

Depois de fotografar, fazia a caminhada de regresso ao meu apartamento, passando pelo Green Ivy para as compras do dia. Park Slope tem uma infinidade de mercearias e super mercados mas mesmo as mais pequenas como o Green Ivy têm uma grande variedade de produtos e quase tudo organico,  até a água era organica! O que me lembra a minha passagem, logo no final do primeiro dia, pela Wholefoods. O paraíso dos ingredientes e da comida já preparada, com a sua estufa de vegetais instalada em toda a extensão do telhado do edifício. Uma vista e tanto!

Apesar desta ter sido uma viagem de trabalho e não de turismo, sempre que possível aproveitei para explorar as redondezas, e no meu único dia de folga  fui até ao Greensmarket na Grand Army Plaza, mesmo na entrada do lindo Prospect Park. Um pequeno mercado ao ar livre onde se vendem todo o tipo de produtos frescos, assim como tartes e outras delicias caseiras. Entretanto fui descobrindo mais sobre a 5ª e a 7ª avenidas, as mais interessantes de Park Slope, com inúmeros cafés, pastelarias, restaurantes e lojinhas irresistíveis. Comecei a sair bem cedo de manhã, antes de ir para o estúdio, para fotografar e descobrir novos recantos e ficar encantada com as diabruras dos esquilos que por lá são o equivalente aos nossos gatos, estão por todo o lado. Descobri que o Starbucks ficava a uns escasssos metros do apartamento e mais do que pelo café, ía lá pelos croissants de amêndoa que são ótimos. E claro, passei pela Barnes and Noble para ver os livros, especialmente os de comida.

Dos sítios que fui conhecendo ficaram-me a Bakery Cousin John´s com umas panquecas e umas mega bolachas fantásticas e uma decoração a fazer lembrar os bistros franceses. O café Le pain quotidien com um ambiente muito acolhedor e uma variedade de pães, pastéis e refeições leves tentadora. E o café Kos Kaffe, o meu favorito, sempre cheio, de clientes e de portáteis, e foi por isso que no meu último dia em Brooklyn voltei lá bem cedo, para tomar o meu último pequeno almoço por terras do tio Sam e fotografá-lo tranquilamente. Lá bebe-se um latte intenso e cremoso e a frittata levemente picante e as panquecas de trigo sarraceno são uma delícia!

Há muito mais que vos podia contar mas este texto já vai longo, por isso há que seguir em frente e dedicar espaço à receita de hoje.

Muhammara. Um dip com uma base de pimentos assados, nozes e melaço de romã, originário da Syria. Deixem-me contextualizar:
O Médio Oriente foi a minha maior experiência de comida em Brooklyn. O livro que fotografei é um tratado sobre pães exóticos e outras receitas derivadas dos mesmos com destaque para o challah, um pão judaico, macio, rico e leve que pode ser doce ou salgado. Nas sessões fotográficas usamos uma infinidade de ingredientes e dips do Médio Oriente e uma variedade de pães fantástica, com origens na Pérsia, Turquia e Marrocos. O exoticismo e o misticismo estiveram sempre presentes e eu, tal qual uma pele permeável, absorvi cada momento, cada aroma, cada sabor. Cheguei  a Portugal depois de cruzar o atlântico ainda com o perfume das especiarias entranhado em cada poro e a promessa de uma nova postagem em que o novo e o velho mundo se entrelaçariam sem tabus.



In English
In the beginning of March I flew to New York, to work and live there for ten days, more specifically in Park Slope - Brooklyn.

I must tell you that it´s hard to decide where to start. Today and after returning home for quite some time I´m still processing information. Trying to compress and store safely everything I saw, felt and experienced.

At the exit of JFK´s airport was a van with a placard in the window with a familiar name: "Mónica Pinto" in bold letters. For a moment I thought I was inside of any american movie, but no, that was my ride and driving was Mussy, my client´s assistant, to take me to see the studio, a warehouse divided into two spaces that we would use alternately for the photo shoot.

My routine in Brooklyn started early the next day and continued for the next nine days ahead. Walk down Park Slope amid centuries old, beautiful houses to 4th Ave and continuing through to the studio. Daily stop at Brownstone Bagels and Bread for an espresso or macchiato with a blueberry or chocolate muffin or a simple bagel. Often I asked only for an espresso to go and I ended up realizing that my little cup of espresso in my hand made people curious. Brooklyn streets are more than used to seeing pass by big cups of coffee in the hands of the passers-by but that tiny cup was the same as walking with a placard saying: "Yes! I´m European!" and that for americans, I was told, is a bit exotic.

After shooting I would walk back to my cozy apartment, passing by the Green Ivy for the daily shopping. Park Slope has a multitude of grocery stores and super markets and even smaller ones like the Green Ivy have a wide variety of products, and almost all organic, even the water was organic! Which reminds me of my passing, at the end of the first day, by Wholefoods . A paradise of ingredients and already prepared foods, with it´s organic vegetables greenhouse installed throughout the building roof extension. It was quite a view!

Although this was a business trip and not a tourism one, whenever possible I took the opportunity to explore the surroundings and on my only day off I went to the Greensmarket in Grand Army Plaza, right at the entrance of Prospect Park. A small outdoor market where they sell all kinds of fresh and baked goods. In the meantime I discovered more about 5th and 7th Ave, the most interesting of Park Slope. I started to get out early in the morning, before going  to the studio, to shoot and discover new places and be delighted with the antics of the squirrels that there are the equivalent of our cats, they are everywhere! I found that Starbucks was a mere metters away from my apartment and more than the coffee I went there for the almond croissants that are great. I also went to Barnes and Noble to see the books, specially the food ones.

Of the places I came to know, I love Cousin John´s Bakery with fantastic pancakes and mega cookies and a decoration that reminded me of french bistros. Coffe shop Le Pain Quotidien with a very cozy atmosphere and a great variety of breads, pastries and light meals. And Kos Kaffe, my favorite, always full of customers and laptops and that´s why I went there early in the morning on my last day in Brooklyn for my last breakfast and to shoot it quietly. There you can have an intense and creamy latte and the slightly spicy frittata and the buckwheat pancakes are delicious!

That´s so much more that I would like to let you about this adventure but this text is already too long so it´s necessary to move on and devote some space to today´s recipe.

Muhammara. A dip with a base of roasted red peppers, walnuts and pomegranate molasses originating in Syria.
Let me contextualize:
The Middle East was my biggest food experience in Brooklyn. The book that I photographed is a tratise about exotic breads and other recipes derived from them, especially challah, a jewish, soft, rich and light bread that can be sweet or salty. In the photo shoot we used a multitude of  ingredients and dips from the Middle East and a variety of fantastic breads with origins in Persia, Turkey and Morocco. The exoticism and misticism were always present and I, like a permeable skin, absorved every moment, every smell, every taste. I arrived in Portugal after crossing the Atlantic still with the aroma of spices embedded in every pore of mine and the promisse of a new post where the new and the old world would mingle, without taboos.




































Ingredientes: Faz cerca de 400 g de pasta
200 g de pimentos vermelhos assados
140 g de pão ralado
70 g de nozes
4 dentes de alho ralados
2 colheres de chá de melaço de romã ou na falta deste 1 colher de sopa de sumo de romã
1 colher de chá de cominhos
1/2 colher de chá de flocos de chili
150 ml de azeite de boa qualidade
Pitada de sal

Preparação:
*Junte todos os ingredientes num liquidificador e triture até obter uma pasta macia, alaranjada e muito aromática.
*É servida como dip e é ótima com pão fresco ou torrado mas se quiser ir mais além use-a como molho para massas ou carne grelhada. Uma delícia!
*Dura até um mês guardada no frio, numa caixa bem fechada.




Ingredients: makes about 400 g of paste
200 g roasted red peppers
140 g fine bread crumbs
70 g walnuts
4 garlic cloves, minced
2 tsps of  pomegranate molasses or, in case you can´t find it, 1 tbsp pomegrante juice
1 tsp cumin
1/2 tsp chili flakes
150 ml good olive oil
Pinch of salt

Preparation:
*Put all the ingredients inside a blender and blitz until you have a smooth,  orange and fragrant paste.
*Usually it´s served as a dip and it´s great with fresh or toasted bread but if you want to go even further use it as a sauce for pasta and grilled meat. It´s delicious!
*Lasts up to a month kept in a plastic container inside the fridge.





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5 comentários:

ashley leo. disse...

Vivo em NY e confesso que ao ler este post percebi que realmente conheço muito pouco de BK! O meu dia a dia acaba por ser em Manhattan, mas deu-me imensa vontade de perder-me por Park Slope que mal conheço!

Miranda disse...

Fiquei com muita vontade de fazer este dip. Se dizem que uma imagem vale mais que mil palavras, neste caso, acho que ambas se complementaram tão bem que quando cheguei ao fim da parte escrita deste post queria mais, confesso que queria bem mais. Senti-me quase a viajar por esses locais, a sentir os cheiros e o calor das cores, e depois ver as fotos foi como estar quase a recordar a viagem que as tuas palavras me tinham proporcionado. Adorei.
http://bloglairdutemps.blogspot.pt/

Florcita disse...

What a great experience! and the flavours and smells seem to permeate through the post.
I'm glad my little bowls and spoons are still helping out!!!

amendoeiraemflor disse...

Gostei muito do post, das fotos. A receita parece muito versátil e fácil de conservar, acho que um destes dias tenho que experimentar. E agora fiquei curiosa com o livro que foi fotografado durante esses dias, podemos saber? :)

Paula disse...

E o seu Livro?... Custa esperar! :)

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